Em junho de 1816, enquanto o Hemisfério Norte deveria estar entrando no verão, agricultores de partes dos Estados Unidos viram a geada destruir suas plantações. Houve registros de neve no Maine e no estado de Nova York. Na Europa, chuvas persistentes prejudicaram colheitas e transformaram estradas em lama. O preço dos alimentos subiu, animais morreram e famílias inteiras abandonaram suas terras.
Para quem viveu naquele período, parecia que as estações haviam deixado de funcionar.
O verão simplesmente não chegou.
Ninguém na Europa ou na América do Norte sabia que parte da explicação estava em uma montanha localizada do outro lado do planeta. Mais de um ano antes, na noite de 10 de abril de 1815, o monte Tambora havia explodido na ilha de Sumbawa, no território que hoje pertence à Indonésia.
A erupção devastou comunidades próximas, destruiu plantações e lançou material vulcânico na atmosfera. Seus efeitos ultrapassaram oceanos e fronteiras, alterando temporariamente o clima do planeta.
O ano seguinte ficaria conhecido como o Ano Sem Verão.
A história também ganhou uma coincidência cultural extraordinária. Na Suíça, o frio e a chuva mantiveram um pequeno grupo de escritores dentro de uma casa próxima ao lago de Genebra. Para passar o tempo, decidiram criar histórias de fantasmas.
Daquele encontro surgiram as primeiras versões de Frankenstein e O Vampiro, duas obras que ajudariam a definir o terror moderno.
Dizer que um vulcão criou Frankenstein seria simplificar demais. Mas sem o Tambora, uma das noites mais importantes da história da literatura talvez jamais tivesse acontecido daquela maneira.
A montanha que perdeu o próprio topo
Antes de 1815, o Tambora era uma das montanhas mais altas do arquipélago indonésio. Sua altitude provavelmente ultrapassava 4 mil metros.
A atividade vulcânica começou a aumentar em 1812, mas foi em abril de 1815 que o sistema entrou em colapso.
Houve explosões em 5 de abril, seguidas por uma fase ainda mais violenta cinco dias depois. Na noite de 10 de abril, colunas de material incandescente se elevaram sobre a montanha. Fluxos piroclásticos — misturas extremamente quentes de gases, cinzas e fragmentos de rocha — desceram pelas encostas e alcançaram o mar.
A erupção recebeu posteriormente o nível 7 no Índice de Explosividade Vulcânica, cuja escala vai de 0 a 8. Foi a maior erupção explosiva registrada no período histórico.
O Programa Global de Vulcanismo do Smithsonian estima que mais de 150 quilômetros cúbicos de tefra — nome dado ao material fragmentado expelido por um vulcão — foram lançados durante o evento.
A retirada de uma quantidade tão grande de magma deixou a estrutura da montanha sem sustentação. O topo desabou, formando uma caldeira com aproximadamente seis quilômetros de largura e mais de um quilômetro de profundidade.
O Tambora não desapareceu, mas perdeu uma parte considerável de sua altura.
Estimar o número exato de mortos é difícil porque os registros do início do século XIX são incompletos. O Smithsonian trabalha com uma estimativa de cerca de 60 mil mortes, considerando tanto os efeitos imediatos quanto a fome e as doenças provocadas pela destruição das plantações.
Outros estudos apresentam números maiores ou menores. Essa diferença não é um detalhe: demonstra o cuidado necessário ao transformar estimativas históricas em números aparentemente precisos.
O que pode ser afirmado com segurança é que milhares de pessoas morreram durante a erupção e que dezenas de milhares foram atingidas pela crise que veio depois.
A tragédia começou na Indonésia, não na Europa
Quando o Ano Sem Verão é contado, a narrativa costuma começar com neve nos Estados Unidos, plantações europeias ou escritores reunidos na Suíça.
Essa abordagem esconde as primeiras vítimas.
Para as comunidades de Sumbawa e das ilhas vizinhas, o desastre não chegou meses depois na forma de um verão frio. Ele começou imediatamente.
Fluxos piroclásticos destruíram povoados. Cinzas soterraram campos agrícolas e contaminaram fontes de água. Em algumas áreas, a vegetação foi eliminada. A perda das colheitas provocou fome, enquanto pessoas enfraquecidas tornaram-se mais vulneráveis a doenças.
Na época, a região fazia parte das Índias Orientais Neerlandesas, embora a administração britânica tivesse assumido temporariamente o controle de partes do arquipélago durante as guerras napoleônicas.
As informações circulavam lentamente. Notícias sobre uma catástrofe ocorrida em uma ilha do Sudeste Asiático levavam meses para alcançar a Europa — quando chegavam.
Mesmo depois que os registros da erupção se tornaram conhecidos, ninguém compreendia completamente como um vulcão poderia alterar o clima a milhares de quilômetros de distância.
Por isso, as pessoas que enfrentaram o frio de 1816 não relacionaram imediatamente o problema ao Tambora.
Elas viram as colheitas fracassarem sem saber por quê.
Não foi simplesmente a cinza que escondeu o Sol
A explicação popular costuma dizer que o Tambora lançou tanta cinza na atmosfera que uma nuvem cobriu o planeta e bloqueou a luz solar.
A ideia está parcialmente correta, mas confunde o principal mecanismo.
As partículas mais pesadas de cinza realmente escureceram o céu e causaram destruição nas regiões próximas ao vulcão. Entretanto, a maior parte da cinza atmosférica cai em questão de dias ou semanas. Ela não costuma permanecer tempo suficiente para provocar vários anos de resfriamento global.
O componente mais importante foi o dióxido de enxofre.
Grandes erupções explosivas podem lançar esse gás até a estratosfera. Ali, ele reage e forma pequenos aerossóis de sulfato capazes de permanecer suspensos por muito mais tempo.
Essas partículas refletem parte da radiação solar de volta ao espaço. Como menos energia chega à superfície, a temperatura da baixa atmosfera diminui temporariamente.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos destaca que são os aerossóis de sulfato — e não simplesmente uma nuvem permanente de cinzas — os principais responsáveis pelo resfriamento após grandes erupções. A cinza cai relativamente rápido; os aerossóis podem circular pelo planeta e permanecer na estratosfera por anos. USGS
O Tambora lançou uma quantidade excepcional desses gases em uma região tropical. A circulação atmosférica espalhou os aerossóis pelos dois hemisférios, embora os efeitos não tenham sido iguais em todos os lugares.
O planeta não ficou completamente sem luz. A redução média de temperatura também não parece gigantesca quando expressa em poucos décimos de grau.
Mas médias globais escondem extremos regionais.
Para uma plantação que depende de uma estação curta, alguns dias de geada fora de época podem representar a diferença entre uma colheita normal e a perda de toda a produção.
Por que o pior aconteceu somente em 1816?
A erupção atingiu sua fase mais violenta em abril de 1815. O Ano Sem Verão veio em 1816.
Esse intervalo pode parecer estranho, mas o clima não reage como uma lâmpada que se apaga imediatamente.
Os gases vulcânicos precisaram alcançar a estratosfera, transformar-se em aerossóis e espalhar-se pela atmosfera. A interação entre essas partículas, os oceanos, os ventos e a circulação atmosférica levou tempo.
Além disso, o Tambora não atuou sobre um clima perfeitamente estável.
Os primeiros anos do século XIX já haviam registrado outras erupções importantes. Evidências preservadas em camadas de gelo indicam que uma erupção ainda não identificada ocorreu por volta de 1808 ou 1809. Outros vulcões também entraram em atividade na década seguinte.
A atividade solar estava em um período relativamente baixo, conhecido como Mínimo de Dalton. Oscilações naturais nos oceanos e na atmosfera também influenciavam as temperaturas e as chuvas.
Portanto, não é correto tratar cada nevasca, inundação ou dia frio de 1816 como consequência direta e exclusiva do Tambora.
Um estudo publicado em 2019 utilizou registros históricos e modelos climáticos para analisar especificamente o verão europeu. Os pesquisadores concluíram que a presença do Tambora tornou o frio observado até cem vezes mais provável. A influência sobre o excesso de chuva também existiu, mas foi menor: as condições úmidas tornaram-se entre 1,5 e três vezes mais prováveis. Environmental Research Letters
O vulcão foi decisivo para o frio.
Já a chuva resultou de uma combinação mais complexa entre a erupção e a variabilidade natural da atmosfera.
Essa distinção evita dois erros: negar a influência do Tambora ou atribuir ao vulcão absolutamente tudo o que aconteceu naquele ano.
Neve, geada e plantações destruídas
Os efeitos mais lembrados ocorreram em partes da Europa e do nordeste da América do Norte.
Em regiões da Nova Inglaterra, houve geadas durante meses em que os agricultores esperavam temperaturas mais altas. Neve foi registrada em junho, enquanto sucessivas ondas de frio prejudicaram milho, trigo e outras plantações.
O ano entrou para o folclore local com expressões como “mil oitocentos e congelou até morrer”, um jogo de palavras em inglês com o número 1816.
O problema não era apenas sentir frio durante o verão.
No início do século XIX, grande parte da população dependia diretamente da agricultura local. Não existiam caminhões refrigerados, ferrovias continentais ou cadeias globais de distribuição capazes de transportar rapidamente alimentos entre regiões.
Uma colheita perdida significava escassez real.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que, em algumas áreas da Nova Inglaterra, a produção agrícola possa ter caído em até 90%. A crise também alterou a pesca regional: comunidades passaram a depender mais da cavala depois que outras espécies e fontes de alimento se tornaram escassas. USGS
Na Europa, as baixas temperaturas vieram acompanhadas por chuvas persistentes em diversas regiões. Plantações apodreceram, colheitas diminuíram e o preço dos grãos subiu.
A população ainda sofria as consequências de décadas de guerras napoleônicas, encerradas em 1815. Muitos governos estavam endividados, soldados retornavam para casa e redes de abastecimento permaneciam desorganizadas.
O clima não criou sozinho a pobreza e a instabilidade social. Ele atingiu sociedades que já estavam fragilizadas.
Essa é uma lição importante sobre desastres: o fenômeno natural fornece o choque, mas a dimensão da tragédia depende das condições econômicas, políticas e sociais existentes antes dele.
Não houve um único “ano sem verão” para todo o planeta
O nome é memorável, mas também enganoso.
O verão não desapareceu de maneira uniforme em todos os países. Algumas regiões enfrentaram frio intenso; outras sofreram principalmente alterações nas chuvas ou nas monções. Houve lugares em que os efeitos foram relativamente discretos.
Até dentro da Europa, os padrões variaram.
A expressão “Ano Sem Verão” descreve melhor a experiência registrada em partes do Hemisfério Norte, principalmente na Europa ocidental e central, no nordeste dos Estados Unidos e no Canadá.
Isso não significa que outras regiões tenham escapado. Estudos relacionam o Tambora a alterações climáticas na China, na Índia e em diferentes partes da Ásia. O problema é que os registros são desiguais, e a documentação europeia e norte-americana foi historicamente mais acessível aos pesquisadores ocidentais.
Também não existe uma única estimativa de quanto a temperatura global caiu. Os resultados dependem do período utilizado como referência, do conjunto de dados e de se o cálculo considera a média global, apenas os continentes ou regiões específicas.
Uma revisão científica publicada em 2016 estimou que o resfriamento global ficou aproximadamente entre 0,4 °C e 0,8 °C em relação às décadas anteriores. Wiley Interdisciplinary Reviews: Climate Change
Parece pouco.
Para o sistema climático inteiro, em apenas um ou dois anos, não foi.
O encontro na casa de Lord Byron
No verão de 1816, Mary Godwin — que mais tarde adotaria o sobrenome Shelley — viajou para a região do lago de Genebra, na Suíça, acompanhada do poeta Percy Bysshe Shelley e de Claire Clairmont.
Próximo dali, Lord Byron havia alugado a Villa Diodati. Com ele estava o médico John William Polidori.
A ideia era aproveitar o verão nos Alpes. O clima, entretanto, não colaborou.
A chuva constante e as baixas temperaturas mantiveram o grupo dentro de casa durante vários dias. Eles conversaram sobre literatura, filosofia, ciência e a possibilidade de descobrir o princípio da vida.
Também leram histórias sobrenaturais traduzidas do alemão.
Foi então que Byron propôs que cada integrante escrevesse uma história de fantasmas.
Mary Shelley relatou posteriormente que teve dificuldade para encontrar uma ideia. Depois de ouvir discussões sobre experiências científicas e a possibilidade de reanimar matéria, imaginou um estudante ajoelhado diante da criatura que havia produzido.
Aquela imagem tornou-se o embrião de Frankenstein ou o Prometeu Moderno.
Na introdução escrita para a edição de 1831, Mary descreveu aquele período como um verão “úmido e desagradável” no qual a chuva frequentemente mantinha o grupo dentro de casa. Frankenbook
O primeiro rascunho começou em 1816. O romance foi ampliado durante os meses seguintes e publicado anonimamente em janeiro de 1818.
Mary tinha apenas 20 anos quando o livro chegou às livrarias.
O Tambora criou Frankenstein?
Não exatamente.
A erupção ajudou a produzir as condições meteorológicas que mantiveram o grupo reunido dentro de casa. Sem o frio e a chuva, talvez os escritores tivessem passado mais tempo navegando pelo lago ou caminhando nos Alpes.
Mas uma obra literária não nasce de uma única causa.
Mary Shelley era filha de dois importantes pensadores: a escritora feminista Mary Wollstonecraft e o filósofo William Godwin. Ela cresceu cercada por debates políticos, literários e científicos.
Sua vida também havia sido marcada pela morte. Sua mãe morreu poucos dias depois do parto. Mary perdeu uma filha prematura em 1815 e registrou em seu diário um sonho no qual a criança voltava à vida depois de ser aquecida junto ao fogo.
As discussões sobre eletricidade, galvanismo, anatomia e os limites da ciência estavam presentes na cultura europeia. Experimentos com músculos de animais mortos alimentavam especulações sobre a possibilidade de reanimar corpos.
Tudo isso aparece, direta ou indiretamente, em Frankenstein.
O Tambora não colocou a criatura na mente de Mary. Ele ajudou a fechar a porta, escurecer o céu e manter dentro da mesma casa as pessoas, os livros e as conversas que permitiram que a ideia tomasse forma.
Essa formulação é menos espetacular do que dizer que “um vulcão criou Frankenstein”, mas é historicamente mais defensável.
O outro monstro daquela noite
Mary Shelley não foi a única a transformar o desafio em uma obra duradoura.
Lord Byron começou um fragmento envolvendo um aristocrata misterioso. John Polidori aproveitou elementos daquela narrativa e desenvolveu O Vampiro, publicado em 1819.
O personagem Lord Ruthven era sedutor, sofisticado e perigoso. Ele se afastava da figura monstruosa e quase animalesca presente em parte do folclore europeu.
Polidori ajudou a estabelecer a imagem do vampiro aristocrático que seria posteriormente desenvolvida por autores como Sheridan Le Fanu e Bram Stoker.
Dessa forma, o verão frio de 1816 está ligado à origem de duas tradições fundamentais do terror moderno: a criatura produzida pela ciência e o predador elegante que se esconde entre a elite.
Uma levou a Frankenstein.
A outra ajudou a abrir o caminho para Drácula.
Um desastre climático não é apenas uma história sobre temperatura
O Tambora demonstra como uma alteração relativamente breve no clima pode atravessar diferentes partes da sociedade.
A erupção atingiu diretamente as comunidades próximas ao vulcão. Depois alterou temperaturas e regimes de chuva. As mudanças prejudicaram plantações e animais. A perda de alimentos elevou preços, estimulou migrações e aumentou tensões sociais.
Em outros lugares, o mesmo fenômeno modificou paisagens, rotinas e até a produção cultural.
Não existe uma linha simples ligando o vulcão a cada consequência. O que existe é uma rede de relações.
O clima não escreveu Frankenstein. Mas interferiu nas condições em que o livro começou.
O clima não criou sozinho a fome europeia. Mas agravou uma sociedade enfraquecida pela guerra, pela pobreza e por sistemas de transporte precários.
O clima não obrigou todas as famílias norte-americanas a migrar. Mas tornou a agricultura inviável para muitas delas.
Grandes desastres raramente possuem uma única causa e uma única consequência. Eles se espalham por sistemas que já carregam fragilidades.
O Tambora poderia acontecer novamente?
Sim.
O vulcão continua ativo, embora suas erupções posteriores tenham sido muito menores. Outros sistemas vulcânicos também são capazes de produzir grandes eventos explosivos.
Isso não significa que uma erupção comparável esteja prestes a acontecer. Eventos de magnitude 7 são raros e não podem ser previstos com datas específicas.
Atualmente, redes sísmicas, satélites e instrumentos de medição de gases permitiriam identificar sinais que não podiam ser observados em 1815. Informações também circulariam quase instantaneamente.
Ainda assim, monitorar um vulcão não elimina seus efeitos globais.
Uma grande injeção de dióxido de enxofre na estratosfera poderia reduzir temporariamente as temperaturas, alterar chuvas e afetar a produção de alimentos. A sociedade moderna possui transporte rápido, estoques, comércio internacional e previsões meteorológicas, mas também depende de cadeias de abastecimento extremamente interligadas.
Uma falha agrícola simultânea em importantes regiões produtoras poderia aumentar preços e atingir com mais força as populações pobres.
O Tambora não deve ser usado como argumento para negar o aquecimento global atual. O resfriamento vulcânico é temporário e provocado principalmente por aerossóis de sulfato. O aquecimento contemporâneo resulta da acumulação persistente de gases de efeito estufa produzidos sobretudo por atividades humanas.
O próprio USGS destaca que os vulcões atuais emitem menos de 1% do dióxido de carbono liberado pelas atividades humanas. USGS
São mecanismos diferentes, atuando em escalas de tempo diferentes.
O ano em que ninguém entendeu o que estava acontecendo
As pessoas que viveram em 1816 não possuíam satélites, modelos climáticos ou redes globais de observação.
Elas enxergavam apenas as consequências.
O agricultor via a geada. A família via o preço do pão. O trabalhador via a falta de emprego. O escritor via a chuva escorrendo pelas janelas.
Quase ninguém via o sistema completo.
Somente décadas depois, cientistas começaram a reunir registros de temperatura, relatos históricos, depósitos vulcânicos e evidências preservadas no gelo para reconstruir o que havia acontecido.
Hoje sabemos que uma montanha na Indonésia alterou temporariamente o equilíbrio energético do planeta. Sabemos também que seus efeitos foram moldados por guerras, pobreza, agricultura, circulação atmosférica e desigualdade.
O Ano Sem Verão não foi apenas uma anomalia meteorológica.
Foi uma demonstração de que o planeta é muito mais conectado do que as pessoas do século XIX imaginavam. Um evento ocorrido em uma ilha aparentemente distante podia atingir colheitas na Europa, provocar migrações na América e influenciar uma jovem escritora na Suíça.
Do Tambora não saiu apenas lava, cinza e gás.
Saíram fome, medo, deslocamentos e histórias.
Entre elas, a história de um homem que tentou criar vida — e descobriu tarde demais que nenhuma criação permanece sob o controle de seu criador.
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